Nova cafeteria de Curitiba embarca em viagem por variados sabores e culturas

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Ambientado em diferentes países, Café do Viajante tem até seis tipos de cafés preparados na mesa do cliente. [foto: divulgação]

Quando fazia faculdade, o estudante de Administração de Empresas Diogo Fernandes tinha um ritual: primeiro, parava em uma cafeteria, lia um livro e relaxava: “Era o que me dava energia para assistir às aulas”, diverte-se. Contudo, antes de sair da cafeteria, sempre pensava: “Ainda vou ter uma dessas”. Hoje, ele e seu sócio, Robson Franzoi, são proprietários da Café do Viajante, na rua Comendador Fontana, perto do Fórum Cível de Curitiba, no Centro Cívico. Embora a especialidade da casa, inaugurada há quase dois meses, seja o café – expresso puro, com leite e filtrado –, também há espaço para vinho, cerveja e acompanhamentos doces e salgados.

A ideia foi unir duas paixões pessoais dos proprietários: o café, bebida com a qual Fernandes tem uma forte história familiar, e as viagens, apreciadas por ambos, que já visitaram mais de 15 países na Europa, Ásia, América do Sul e América do Norte. Porém, apesar de tantos carimbos no passaporte, o “laboratório de campo” para criação da cafeteria aconteceu por aqui mesmo, no Brasil, em uma viagem de quatro dias a São Paulo. “Os paulistanos têm tradição com o café, gostam de apreciar e degustar”, observa a dupla. Eles visitaram uma média de 20 cafeterias na cidade: “Foi uma boa experiência. Percebemos que havia uma grande interação do público com o café”, afirmam.

Um dos cafés preparados na mesa do cliente é o Syphon, que possui todo um ritual na hora de servir. [foto: Gillo Brunisso]

Um dos cafés preparados na mesa do cliente é o Syphon, que possui todo um ritual na hora de servir. [foto: Gillo Brunisso]

E foi essa interação que os proprietários buscaram trazer para Curitiba. Esse objetivo fica claro tanto na disposição física da casa – com um bar projetado no estilo americano, para que os mais interessados possam acompanhar as técnicas do barista – quanto no preparo dos cafés filtrados, que acontece na própria mesa dos comensais, conforme explicam: “Os métodos de preparação são executados na frente do cliente, para que ele possa acompanhar e tirar suas dúvidas. Esse é um diferencial importante da casa”.

Aliás, os cafés filtrados ganham destaque especial no cardápio. São seis tipos que vão do mais fraco ao mais forte, de acordo com o gosto do público: “O filtrado fascina mais. Apesar de ainda estar criando sua identidade, tem muito futuro no Brasil”, analisam. Por lá, um dos filtrados mais pedidos é o Syphon (R$ 14,20), que serve até três xícaras e é parecido com o café coado no pano: “Tem todo um ritual de preparo: acender a chama, ferver a água, colocar o café”, descreve Franzoi. A estrutura para servir a bebida lembra um pouco aqueles equipamentos de laboratório de química: “Funciona pelo princípio da transferência térmica e vácuo. Tem paladar suave”, explica a dupla. Para acompanhar, muffins quentinhos de mexerica (R$ 12,50) ou pistache com frutas vermelhas (R$ 14) caem como uma luva. Outro item muito pedido é o bolo gelado de coco (R$ 8,90 a fatia), embrulhado no papel alumínio: “É bem molhadinho, com leite condensado, e o público aprecia bastante”, revelam os proprietários. Se a ideia é provar algo mais cítrico, a torta de limão siciliano (R$ 14) pode ser uma boa opção.

Entre as opções de comidinhas está o muffin de mexerica. [foto: Gillo Brunisso]

Entre as opções de comidinhas está o muffin de mexerica. [foto: Gillo Brunisso]

Para os que preferem café com sabor mais marcado, a dica é pedir o French Press, que serve de duas xícaras (R$ 10,20) a dez (R$ 22). Esse método utiliza um fino filtro de metal, deixando que o óleo do café e demais sedimentos naturais cheguem à xícara, proporcionando um café encorpado. Já o Chemex – que serve três xícaras (R$ 14,20) ou seis (R$ 18,30) – é preparado com filtro de parede tripla, que segura o óleo do café, resultando numa bebida limpa equilibrada.

Ambos combinam com o Mineirinho (R$ 6,60), uma porção de oito minipães de queijo servidos dentro de uma charmosa caneca. Parecem aqueles pãezinhos do sítio da vovó. E, no caso de Fernandes, isso não é apenas uma metáfora: “Passei a infância no sítio dos meus avós paternos, com cheirinho de café que eles plantavam e as delícias que minha avó preparava”, recorda-se.

O neto que se deliciava no sítio dos avós cresceu. Em 2013, formou-se em Administração de Empresas e foi trabalhar em uma empresa multinacional, mas o paladar e o aroma do café nunca deixaram de inebriar sua memória: “Era algo que me atraía muito, sabia que ainda ia trabalhar com isso”, admite Fernandes. Em 2015, ele deixou a multinacional e finalmente resolveu dar vez ao café. O projeto de abrir a cafeteria começou a ganhar forma nos contornos desenhados por Franzoi, que também é formado em desenho industrial.

O Café do Viajante possui uma decoração rústica temática das viagens dos dois sócios. [foto: Gillo Brunisso]

O Café do Viajante possui uma decoração rústica temática das viagens dos dois sócios. [foto: Gillo Brunisso]

E o sítio dos avós de Fernandes continua lá, no distrito de Alexandra, zona rural de Paranaguá, onde, até hoje, plantam café orgânico (sem fertilizantes nem agrotóxicos) para consumo próprio: “Quando passo por lá, sempre trago um pouco para minha casa”, confessa o neto saudoso. Já no Café do Viajante, os grãos são provenientes de lugares diferentes: “É um blend exclusivo feito com três grãos: um de Cornélio Procópio, norte do Paraná, e dois do sul de Minas Gerais”, informa Franzoi.

Mas, se o sabor do passado, no sítio dos avós de Fernandes, e as viagens dos proprietários alimentam a euforia presente, a animação com o futuro não é diferente: “Para 2017, nos fundos da cafeteria, estamos fazendo a boutique do café, onde venderemos grãos moídos na hora e produtos relacionados, como xícaras e canecas. Também iremos programar meses temáticos, em que o espaço estará ambientado com fotos, músicas e cardápio de um determinado país”, adianta Franzoi. E na área externa do local vai dar para viajar ainda mais no sabor do café e na beleza das paisagens: “Queremos aproveitar e fazer um deck com jardim, para o público tomar café e apreciar o pôr do sol”, planejam.

Serviço:
Café do Viajante
Rua Comendador Fontana, 229, Centro Cívico
Horários de atendimento: terça a sexta, das 12h às 20h. Sábado e domingo, das 14h às 20h.
Não possui estacionamento.
41 3018-2320

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